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Querido Tartarugas até lá embaixo

17 jan 20180 Comentários

Você não foi fácil. Acho que não será fácil para ninguém que saiba o que é conviver com a ansiedade. Entrei e me vi rodopiando nas espirais da Aza, em seus medos e atitudes que não gostaria de ter tomado. Eu tenho uma Aza dentro de mim.

Vê-la lidando com a ansiedade e, por isso, ficando ainda mais ansiosa, mexeu comigo. Os longos trechos em que a Aza luta com a própria mente e conversa/discute/briga com aquele outro “eu” dentro dela são, ao mesmo tempo, reconfortantes e angustiantes. Reconfortantes por perceber que alguém sabe o que é passar por situações parecidas, e angustiantes por ver que ela também não tem uma solução fácil para a questão.

Você foi o primeiro livro do John Green que eu li (eu sei, não me julgue) e quebrou a imagem que eu tinha dele. Sei lá, criei o preconceito de que o autor escrevia mais sobre doenças do que sobre pessoas. Bom, você fala bem sobre pessoas, dramas internos, dúvidas existenciais e reações naturais a problemas não tão naturais.

Não sei se foi por ter me envolvido tanto com as espirais da Aza, por saber como elas funcionam e compreender seus ciclos (Três flocos, e então quatro. E depois muitos, muitos mais), que também achei a leitura exaustiva. Precisava parar de tempos em tempos para tomar fôlego e voltar para o dedo ferido, a C. diff e o microbioma humano. Foi repetitivo, como a mente de uma pessoa ansiosa, mas que não fez bem para essa pessoa ansiosa em particular.

Sobre os outros personagens, não tenho muito o que falar. A trama secundária, que é o desaparecimento do empresário corrupto, não foi muito cativante e até achei que poderia haver mais investigação e menos ansiedade (mas aí não seria um livro que trata sobre ansiedade e eu não me sentiria tão desconfortável – vai ver é justamente por isso que eu gostaria de ler mais sobre a investigação e menos sobre a ansiedade).

Tirando a Aza, achei os outros personagens superficiais e bem padronizados para as funções que representavam na história – a melhor amiga tagarela, o pobre menino rico, o filho problemático de um pai desaparecido, a mão viúva superprotetora… Mas eles cumpriram suas funções na história, então acho que isso não é um problema. E eu também estava envolvida demais nas espirais da Aza e nas metáforas substitutivas dos sentimentos para fazer uma crítica profunda sobre eles.

No fim, fiquei com uma leve dor de cabeça e a vontade de começar logo outra história. Desculpa, não é nada pessoal, de verdade. O problema é comigo, não com você

Beijo,
Taty

 

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Livro: Tartarugas até lá embaixo
Autora: John Green
Editora: Intrínseca
Páginas: 269
Leitura: Outubro/2017
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